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01 outubro 2012

Design em aplicações Access - Parte 01

Escrito por Gilberto Mendes

"Além de do Access, outra de minhas paixões é o Marketing como uma forma de pensamento estratégico. E entre as minhas leituras me deparo com algumas tendências. E uma delas é o design. Arriscando uma definição particular, o design em uma aplicação Access é o esforço de tornar a aplicação intuitiva, prática e visualmente coerente.

Design é muito mais técnica do que arte. São regras e teorias (como a teoria das cores) e estudos (como o movimento dos olhos para a leitura de uma página) que geralmente são aplicados em páginas web, mas que podem ser adaptados para o Access (e no fim das contas para o VB, Delphi e outras aplicações Windows) com facilidade.

Porque é tão comum termos aplicações “feias” no Access?


Não sei exatamente o motivo, mas a maioria das aplicações que vejo em Access são muito ruins em termos de navegação e estética. Mas tenho algumas teorias:
  • Falta de uma formação que enfoque o design – a maioria dos desenvolvedores Access são heróis que aprenderam sem livros ou treinamentos formais a criar seus programas.
  • Exemplos e assistentes que têm um visual deplorável. Quem se apóia nos wizzards para criar suas aplicações sempre vai sofrer com a má qualidade visual e de acessibilidade.
  • Programadores, que cultivam uma mente mais analítica, às vezes escolhem usar um padrão de branco e azul (ou cinza e preto… ou…)


Visual dos formulários criados por assistentes - quem foi que criou essas coisas horríveis? 
Visual dos formulários criados por assistentes – quem foi que criou essas coisas horríveis?


Ópera em Cinza - Quem sem importa com o visual? 
Ópera em Cinza – Quem sem importa com o visual?

Há quem diga que o que importa em uma aplicação é que ela tenha boa performance e faça tudo que o usuário precisa. Depois de algum tempo desenvolvendo e interagindo com usuários e de ler muito sobre marketing, posso dizer uma coisa óbvia que muita gente pode não saber:

Qualidade é uma questão de percepção. 

Portanto, o que o cliente percebe é o que vale. Se você cria uma aplicação correta em termos de recursos, mas que tem telas simples, uma navegação complicada, relatórios feitos em assistentes e aquele switchboard do access, o cliente certamente vai ser obrigado a aceitar (já que o que ele pediu o sistema faz) mas sempre terá uma certa tristeza, um certo desconforto ao usar e demonstrar a aplicação. O sintoma principal é o diminutivo (“É… nós temos um sisteminha em Access…”). E, a aplicação, por mais incrível que seja, não terá a devida valorização.

Então, meu amigo, se você usou a facilidade de desenvolvimento do access pra montar aquelas telas de cadastro a toque de caixa, corre o risco de não ser contratado novamente, de não ser indicado, ou não ser valorizado, se deparando com aquela choradeira de preços que as pequenas empresas jogam para cima dos programadores free-lance.

Então, se você deseja ser um profissional de verdade, é preciso dar alguns passos e dominar alguns conceitos, como intuitividade e ergonomia.

Intuitividade


Uma aplicação é intuitiva quando o cliente é capaz de aprender a usar a aplicação com o mínimo de treinamento. Então, se você tem um formato coerente de interface, com botões que representam claramente o que fazem, a curva de aprendizado do cliente fica bastante reduzida.
Particularmente os botões de uma aplicação são um dos eixos de sua qualidade gráfica. O uso de ícones ajuda muito o usuário a reconhecer as metáforas das ações do sistema. Disquetes para salvar informações, impressoras para relatórios e tantos outros, como estamos acostumados a ver.
E aqui aparecem novamente as escolhas de usar o que tem disponivel. Você pode muito bem usar os recursos nativos do Access e ter resultados assim:

Botões de texto: 20 anos de bons serviços. 
Botões de texto: 20 anos de bons serviços.


Icones do Access: eram legais na versão 1.0... são os mesmos até hoje 
Icones do Access: eram legais na versão 1.0… são os mesmos até hoje
 
Agora, será que não dá pra ir um pouco além? Um uso de um programa básico de imagens e alguns icones que se pode baixar gratuitamente na internet (ou se você for exigente, investir alguns dólares em um jogo de icones profissionais) e num instante você tem um visual dezenas de vezes melhor:

Icones royalty free e um editor gráfico: maravilhas pelo seu sistema. 
Icones royalty free e um editor gráfico: maravilhas pelo seu sistema.
Icones royalty free e um editor gráfico: maravilhas pelo seu sistema.


Quer alguns icones pra começar? Entre no google imagens e dê uma pesquisada em “icons”. Provavelmente você vai encontrar mais do que é capaz de utilizar na vida.

Praticidade e ergonomia


Uma aplicação é prática ou ergonômica quando o trabalho do dia a dia do cliente é facilitado pelo programa. Aquela questão clássica de “apertou um botão e está pronto”. Tente compreender a forma de trabalho do usuário.

Um exemplo clássico: o usuário entra na tela de pedidos e no final descobre que precisa cadastrar uma nova transportadora. Algumas aplicações exigem que ele cancele o pedido ou salve-o, saia desta tela, acesse o cadastro de transportadoras, faça o cadastramento (que muitas vezes exige a digitação de campos obrigatórios que o usuário não tem no momento – dá-lhe preencher campos com “xxxxxx” ) para depois voltar, fazer uma busca pelo pedido que se estava fazendo e finalizar.

Um trabalhão que poderia ser evitado com uma simples pergunta (“Transportadora não cadastrada, deseja cadastrar agora?”) e uma rotina simples, mas que alivia o usuário, que mesmo se não elogiar a sua aplicação, não fica reclamando do sistema para todos na empresa. Por mais que seja uma covardia comparar sua aplicação com as aplicações windows e os melhores, estas são as referências do seu cliente.

Design é ciência


Existem algumas regras que você, como programador (ou designer de aplicações) poderia estudar. A teoria das cores, a proporção áurea, linhas de força.
Uma das primeiras fontes de inspiração e de estudo está aqui mesmo, no iMasters. Existem vários artigos que esclarecem muitos elementos de design que, embora voltados inicialmente para websites, podem muito bem ser aplicados em suas aplicações Access (e em planilhas e documento de texto).

Visite os sites que vendem modelos, os famosos templates. Observe as escolhas de cores, formas, as combinações de fontes e icones. Como isso pode ajudar você a criar melhores aplicações?

Se você leu meu artigo anterior, percebeu que eu gosto de defender os fracos e oprimidos. Primeiro os programadores Access. Agora, os usuários de sistemas. Espero que este artigo tenha proporcionado algumas idéias e insights. Quem sabe você não leva na próxima visita uma caixa de bombons para os usários daquele seu cliente importante?

Na segunda parte deste artigo eu trarei algumas dicas mais concretas para seus formulários ficarem matadores.
Boa sorte, até a próxima."
Em 01 outubro 2012

1 comentários:

  1. Botões de texto: 20 anos de bons serviços e 20 anos de polêmica... Botões de texto são melhores? DEPENDE! Acontece que esses botões costumam desperdiçam espaço na tela (por isso inventaram o texto hover - mas o hover amarelado do Windows não prestou, claro). Os botões de texto com ícones são os melhores uma vez que os ícones trabalham sua memória mais rapidamente. Não só as iamgens, mas também as cores escolhidas fazem grande diferença (os melhores tem figuras e cores bem diferentes para operações bem diferentes). Eu por exemplo sou bem mais devagar quando opero em programas sem ícones (somente texto). Quando só tem texto, a posição dos itens na tela é o que mais ajuda (pois já decorei).
    O texto tem sido a melhor opção para ajudar os iniciantes. O texto hover pode ser a melhor opção a longo prazo.

    Nem todos os formulários do access são horríveis. Na imagem, acho o formulário do meio (amarelo) bem funcional.

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