Pular para o conteúdo principal

Dúvidas frequentes sobre software livre e código aberto


Dúvidas frequentes sobre software livre e código aberto
Escrito por Ricardo Pinheiro 

"Eu ouço muita gente falando muita coisa a respeito de software livre, código aberto, Linux… Na maior parte por desconhecimento, falam besteira. Resolvi juntar e explicar algumas.

Se eu fizer um software para Linux, sou obrigado a torná-lo livre, ou abrir o seu código-fonte?
Não. Existem pessoas que são mal-informados e dizem que “tudo tem que ser liberado, você quer desenvolver para esse sisteminha aí?“. Mas foi dita uma grande besteira. Existem softwares comerciais para Linux. Numa lista rápida, relaciono softwares comerciais e alguns sharewares, como:
  • Maya – Computação gráfica;
  • Mathematica – software para matemática;
  • Maple V – software para matemática;
  • Fermat – software para matemática;
  • MATLAB – software para matemática;
  • rar e unrar – utilitário compressor e descompressor de arquivos;
  • Moneydance 2007 – programa para administração de finanças;
  • Kylix – suite de desenvolvimento semelhante ao Delphi;
  • InstallShield – ferramenta de instalação de software;
  • Wavefront – Computação gráfica;
  • CA (Computer Associates) ARCserve for Linux – Soluções de backup e recuperação de desastres.
Maiores detalhes nesse link. Claro que a maioria dos softwares tem o código-fonte aberto, mas isso não é regra ou obrigação. Mas nada impede que você feche o código e venda o seu software.
A marca “Linux”, está liberada assim como o código-fonte do kernel?
Não. A marca está registrada no mundo inteiro como propriedade de Linus Torvalds. No Brasil, a Conectiva comprou os direitos e repassou-os ao Linus, como várias outras Linux companies fizeram, ao redor do mundo. Na Alemanha, por exemplo, uma outra empresa chegou primeiro, comprou e quis explorar a marca de forma errônea, mas depois devido à pressão da comunidade, desistiu e cedeu os direitos a quem é de direito. Se você quiser usar a marca comercialmente, deve entrar em contato com os representantes do Linus para acertar questões legais.
Por que um pinguim como mascote?
O Tux (esse é o nome dele) foi criado para um concurso de logotipos e mascotes para Linux. O Tux (que venceu) foi criado por Larry Ewing usando o GIMP, e liberado com apenas uma restrição: Que fosse reconhecido o autor e onde ele fez. Feito isto, você pode mexer à vontade com a imagem.  Tem uma galeria (acho que desativada) no Linux Weekly News, com uma coletânea IMENSA de pinguins. Diz Tove Torvalds, esposa do Linus, que ele gosta de pinguins, e também gosta de meter a mão em tudo que é lugar. Conclusão: Numa visita a um zoológico em Canberra, capital da Austrália, ele foi mordido por um pinguim pequeno, e a piada que surgiu foi que ele teve pinguinite… O Tux não é um animal audaz, rápido, vigoroso… É um pinguim gordo e simpático, apenas. Nada competitivo, mas ele é um barato!
Por que existem tão poucos jogos para Linux?
Existem muitos jogos para Linux sim. Se você clicar nesse link, irá encontrar uma lista muito grande, e não são todos. Tem projetos como de um instalador de jogos: Você escolhe, ele baixa da Internet, instala e você joga, além do Cedega, do Wine e de outras soluções para rodar jogos de Windows no Linux. Mas existem poucos jogos comerciais. A Loki Games portou vários jogos comerciais para Linux (principalmente da Activision), e desenvolveu a biblioteca SDL, mas infelizmente fechou as portas. Baixas vendas foi o motivo. Existem algumas dificuldades, como o desenvolvimento em bibliotecas proprietárias e exclusivas de uma plataforma (como o DirectX e o XNA), ao invés de soluções abertas e multiplataforma (como o SDL e o OpenGL). Outro é a baixa rentabilidade, mas existem alguns desenvolvedores que acham o contrário: Nesse link, a Wolfire Games diz que “ao suportar Mac OS X e Linux diretamente, suas vendas aumentaram em cerca de 122%“. Outros desenvolvedores vendem jogos a um preço bem baixo, como essa série da Penumbra Games a US$ 5. Infelizmente já expirou nessa semana (e eu não comprei, droga). Será que muda? Hmmm… Quem sabe? Mas é um círculo virtuoso: Mais jogos atraem mais usuários, e mais usuários farão as empresas portarem mais jogos.
Um software livre pode virar comercial?
Sim, basta o desenvolvedor mudar a licença. Um dia farei um post sobre licenças, mas por enquanto, é possível sim. Um exemplo foi o que aconteceu no SERPRO. Por um tempo, o SERPRO usou uma solução desenvolvida na PROCERGS para correio eletrônico, o DIRETO. Por questões políticas, o DIRETO teve seu código-fonte fechado pela própria PROCERGS, o que iniciou um projeto a partir dele, o DIRETO Livre. Posteriormente, o SERPRO migrou para outra ferramenta, o Expresso, desenvolvido pela CELEPAR. Mas no momento em que ele mudou a licença, só vale dali pra diante. Versões anteriores continuam liberados pela licença anterior. Logo, se o projeto é popular, é comum que, quando acontece isso, ocorra um fork (forquilha, ramificação, etc) e comece um projeto derivado da última versão livre, com rumos diferentes.
Pode-se ter um software livre e uma versão comercial?
Sim, pode. O MySQL é um exemplo. A licença dele é dupla, tem uma versão livre (que a maioria usa), e a versão comercial, com características que só estarão na versão livre no futuro próximo. Alguns softwares são licenciados pela LGPL (Lesser GPL), que permite que tenha uma versão comercial e fechada. O Cedega, que citei ali em cima, é um exemplo. Existem outros, para irritação dos mais zelosos pelo SL. Mas é possível sim. A licença BSD, por exemplo, permite que se feche o código sem nenhuma contrapartida, e por isso ela é criticada: A parte de TCP/IP do Windows é toda trazida do BSD, porque a licença permite, e a Microsoft não está fazendo nada de errado.
Existe software famoso que é de código aberto mas não é considerado software livre?
O Firefox é um bom exemplo. A Mozilla Foundation abre o código fonte de todos os seus aplicativos, para a modificação e redistribuição. Mas a licença que rege esse código-fonte é a MPL (“Mozilla Public License”), que é quase igual à GPL, mas com uma restrição: Caso um programador modifique e redistribua seus aplicativos, eles deverão usar outro nome. Em outras palavras, um Firefox modificado fora da Mozilla Foundation não pode ser chamado de Firefox. Essa política foi adotada para preservar o nome da empresa, visto que cópias modificadas podem ser instaláveis, o que poderia sujar a credibilidade da Mozilla. A distribuição Debian só fornece nos seus repositórios oficiais software que seja realmente livre, e por conta dessa restrição, começou em 2006 a fornecer o Firefox e o Thunderbird com outros nomes (Iceweasel e Icedove), por causa dessa questão da licença.
Outro exemplo é o Ubuntu. Ele é um sistema operacional de código aberto, mas não é considerado software livre. Na distribuição Debian, softwares que não são livres não estão disponíveis nos repositórios padrão. Além do Firefox, drivers proprietários são praticamente proibidos, o que resulta no fato que placas de vídeos de última geração só funcionarão somente de forma muito limitada, sem usufruir dos recursos 3D disponíveis. Isso ocorre principalmente com as placas de vídeo da Nvidia. No caso do Ubuntu, ele permite a inclusão de softwares não-livres, além dos de licenças GPL, o que torna o sistema a funcionalidade do sistema mais amplo. No Ubuntu, é possível afirmar que 99,9% dos aplicativos seguem a filosofia do Código Aberto (entre eles, mais da metade utiliza a licença GPL). O restante 0,1 % é compostos por drivers proprietários de hardware.
Eu preciso de muito espaço para instalar o Linux?
Uma coisa que eu acho muito bacana no Linux é o uso de bibliotecas compartilhadas. Existem algumas bibliotecas que são usadas pelos ambientes, e com isso você acaba economizando espaço em disco. Um exemplo é a GTK+, do Gnome. No KDE temos a Qt, produzida pela Trolltech (hoje subsidiária da Nokia). Como a biblioteca é instalada pelo sistema, os programas não precisam trazê-la. Logo, eles são menores. O pacote de instalação do BrOffice, por exemplo, tem 190 Mb de tamanho, – completo (sem os cliparts). O Firefox tem 15 Mb, só.
Então, você pode instalar o Linux sem consumir muito espaço. Se você não vai trabalhar com desenvolvimento Web ou outra atividade que demande muito espaço, você pode pensar em dar 20 Gb para o sistema como um todo. Minha primeira instalação, do Conectiva Linux 2.0, em 1998, ocupou 512 Mb. da partição de 768 Mb A minha instalação atual, do Ubuntu 9.04 no meu netbook, é numa partição de 10 Gb, e tem 5,2 Gb ocupados. E eu tenho ferramentas de compilação instaladas, além do fonte do kernel (que come quase 700 Mb atualmente). Mas os meus arquivos pessoais (o $HOME, ou o “Drive D” do usuário) ficam numa outra partição do disco.
Vários dos programas que usamos no Windows não têm versões no Linux. Isso significa que não há programas iguais ou equivalentes?
Isto significa que existem programas para Linux para desempenhar a maioria das funções que são feitas com o Windows: em alguns casos melhor, outros casos, pior. Mas existem algumas características únicas desses softwares:
  1. A maioria são de código aberto, pelo menos (senão são software livre);
  2. O custo do programa é zero, e você tem liberdade de fazer (quase) tudo com ele;
  3. O diálogo entre desenvolvedor e usuário é muito mais rápido: Você tem acesso mais fácil a quem faz para propor sugestões, melhorias, corrigir falhas, etc;
  4. Dados olhos suficientes, todos os erros são triviais (Lei de Linus). Como o código é aberto, falhas são mais facilmente encontradas e corrigidas, e mesmo que alguém tente camuflar uma backdoor no sistema, há muito mais desenvolvedores que podem olhar, encontrar e remover;
  5. O desenvolvimento aberto é mais rápido do que o desenvolvimento fechado, e com isso, muitas versões do mesmo software são lançadas, a uma velocidade maior do que a do software fechado: Lance cedo, lance muito.
Eric S. Raymond
Eric S. Raymond
Essas observações podem ser encontradas (essas e muito mais) ao ler o texto “A Catedral e o Bazar“, de Eric S. Raymond. Esse texto, por exemplo, influenciou a Netscape a abrir o código-fonte do seu navegador, em 1999 (10 anos atrás, quando escrevo esse texto), o que deu origem ao projeto Mozilla, e mais recentemente, ao Firefox.
Logo, existem muitos softwares para Linux, mas não necessariamente os mesmos. E aí vem a pergunta que sempre faço quando falam que precisam de algo mega para fazer algo micro:
  1. Você realmente precisa disso tudo que esse software fornece?
  2. Você já verificou se não tem outro software mais simples, que faça o que você precisa mais rapidamente?
  3. Você já considerou o custo de uma licença desse software?
Sempre gero um ar de frustração em adolescentes que acham que precisam do Photoshop para remover olhos vermelhos de uma foto, enquanto o Picasa, do Google, tem ferramentas embutidas já para isso. Mas eles querem o status de usar o Photoshop, mesmo que seja uma cópia não-autorizada. Mas falo de cópia não-autorizada depois.
Voltando ao Linux, recomendo a todos que olhem o site The Linux Alternative Project. Lá, ele relaciona o software para Windows e os equivalentes para Linux. É bom até para descobrir programas para Windows que fazem a mesma coisa que outros, mas não conhecemos. Mas não se iluda: Não há soluções para tudo no Linux. Ainda há falta de alguns bons programas de design, por exemplo. Claro que parte das soluções implementadas no software comercial foram pagas (como o sistema de cores Pantone, que a Adobe pagou muito alto para tê-lo nos seus softwares) e o pagamento da licença serve para custear esse tipo de gasto que a produtora tem. Mas como temos muita gente que se acha esperta…
Enfim, o Linux é melhor do que o Windows?
Respondo falando por mim: Uso Linux há 11 anos, e exclusivamente Linux no meu desktop há 6, fora os outros computadores da casa, que, com exceção do netbook, são só Linux (o netbook tem Mac OS X também). Não uso outros Unix ou outros sistemas por pura falta de tempo, e Windows eu não tenho necessidade. E, para o que eu faço, sim, ele é muito superior. Há usuários que precisam de soluções exclusivas do Windows, mas que podem experimentar o Linux e rodar essas soluções via WINE. Conheço pessoas que tem toda a suite da Adobe rodando no seu notebook com Linux instalado, porque eles precisam. E funciona muito bem. Mas existem casos onde o Windows é superior ao Linux, em termos de software disponível, por exemplo.
Agora, se o Linux vai sobrepor o Windows… Eu espero sinceramente que sim, e que não demore. Mas não quer dizer que será logo. Só o tempo e as circunstâncias dirão."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lista de 170 dos principais e mais notáveis Softwares Livres para Web

Ser gratuito não significa que não sejam poderosos. Muitos desses softwares têm funções superiores às encontradas em seus concorrentes pagos.

Muitos programadores contribuem para a construção de um Software Livre, compartilhando gratuitamente seu trabalho e, pedindo um auxílio às pessoas dispostas a ajudar. É isso que sustenta o movimento do Software Livre.

Também, se dedicam inteiramente à criar design diferenciado desses softwares de código aberto, sob demanda de empresas, pessoas e instituições que agora se tornam seus clientes. Outros, criam módulos e componentes à esses softwares, com funções específicas de determinado tipo de atividade de um empresa ou instituição, cobrando então pelo seu trabalho, que agora depende da aplicação principal que ele ajudou a desenvolver.

Esse idealismo pode criar ótimos programas. O Firefox é um dos melhores exemplos. Mas há muitos programas de código livre além dele. Conheça agora, 170 dos principais e mais notáveis Softwares Livres, construídos …

Conheça o Alfresco - Software Livre para Gestão Documental

Alfresco, é um sistema de Gestão de Documentos físicos/digitais empresarial (em inglês ECM "Enterprise Content Management") multi plataforma (Windows e Unix/Linux) de Código Aberto, desenvolvido em Java.
Muitas empresas utilizam para gestão de seus documentos, gestão de conteúdo Web e de colaboração (e-groupware). O Alfresco não é a única plataforma de ECM open source, mas para a gestão de documentos, colaboração e repositório documental, é um dois mais utilizados no mercado atualmente, implementando alta usabilidade e um modelo open source a 100%.

Atualização do ICA-AtoM - versão 1.2 para 1.3

Vídeo gravado no celular. Apresenta o procedimento realizado ao atualizar a versão 1.2 para 1.3 do software ICA-AtoM. (localhost) Ubuntu + MySql Administrator


Planejamento deve levar em conta a Gestão Documental

Escrito por Dgard Pinheiro (*)

Se o planejamento é a ciência de colocar no papel – hoje, na verdade, em sistemas computacionais – e de gerenciar todas as etapas do negócio, incluindo seus objetivos e os meios para que eles sejam atingidos, então, as empresas devem levar em conta a Gestão Documental como parte vital para o sucesso de um empreendimento. Isto porque os negócios envolvem o recebimento, envio e manuseio de uma quantidade enorme de documentos de várias origens, desde o tradicional papel, até os arquivos digitais – tais como as notas fiscais eletrônicas, fax, e-mail, documentos pessoais e formulários (estes, muito utilizados na coleta de informações em várias áreas: cadastros, escolas, pesquisas de mercado e de opinião etc).
Pode parecer que o planejamento envolve apenas a estratégia de negócios, a definição do plano de ação, a definição de produtos e serviços, preços, distribuição, marketing e divulgação. No entanto, ele vai além e deve incluir os processos de como a companhi…

Conheça o NUXEO - Software Livre para Gestão Documental

Atualizado em 16/09/2013.


          O Nuxeo é uma poderosa ferramenta de ECM (Enterprise Content Management - gestão de conteúdo empresarial) open source (código aberto), desenvolvido pela empresa francesa de mesmo nome. Nuxeo atualmente é utilizado por centenas de empresas ao redor do mundo e órgãos públicos, de médio e grande porte. No site do software é possível ver a lista de alguns usuários da ferramenta.           Nuxeo tem uma arquitetura ágil e flexível de última geração, utilizando o melhor do Java. Permite gerenciar os documentos de forma cômoda, realizando versões dos documentos, fluxos de trabalho associados aos documentos, publicação remota, busca avançada, integração com Microsoft Office e Open Office, etc.           Existe a versão open source do NUXEO, que é totalmente gratuita, e a versão "Nuxeo Studio". Esta última é um serviço diferenciado, onde há suporte 24hs por eles, manutenção do sistema, serviço de Cloud Computing (nuvem) etc. Neste caso é preciso p…

Botão para abrir formulário no LibreOffice-Base - Macros

Se você está começando a trabalhar com o Libre Office Base e não entende muito de programação, provavelmente já se deparou com a situação de não conseguir abrir um formulário a partir de um botão de pressão criado em outro formulário. Parecerá mais difícil ainda se você estiver acostumado a utilizar os assistentes do Microsoft Access.

No Libre Office Base é preciso criar uma macro para abrir um formulário a partir de um botão criado no modo desenho do formulário. Depois de criada a macro, é necessário chamar a função no evento "Ao aprovar ação" do botão.

Com o Libre Office Base aberto, vá em "Ferramentas >> Macros >> Organizar Macros >> Libre Office Basic". Na janela que aparecer, selecione "Minhas Macros >> Standards >> Module 1". Haverá um botão no menu lateral direito chamado "Editar". Clique para editar este módulo e insira a seguinte macro:

Eletrônico ou digital?

Diferença entre documento eletrônico e documento digital

Segundo a Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos (CTDE) do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ):
“Na literatura arquivística internacional, ainda é corrente o uso do termo “documento eletrônico” como sinônimo de “documento digital”. Entretanto, do ponto de vista tecnológico, existe uma diferença entre os termos “eletrônico” e “digital. Um documento eletrônico é acessível e interpretável por meio de um equipamento eletrônico (aparelho de videocassete, filmadora, computador), podendo ser registrado e codificado em forma analógica ou em dígitos binários. Já um documento digital é um documento eletrônico caracterizado pela codificação em dígitos binários e acessado por meio de sistema computacional. Assim, todo documento digital é eletrônico, mas nem todo documento eletrônico é digital. Exemplos: 1) documento eletrônico: filme em VHS, música em fita cassete. 2) documento digital: texto em PDF, planilha de cálculo em Microsoft  Ex…